domingo, 12 de abril de 2015

"Poluição do ar e Atividade Física - É importante saber"



Nos dias atuais a sociedade tem cada vez mais consciência de que a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo é um quesito indispensável para uma melhor qualidade de vida em todas as faixas etárias (LASTE, 2009). Desta forma, observa-se uma maior aderência da população a prática do exercício físico ao ar livre, como caminhada e ginástica nos bosques, parques e calçadões das grandes cidades (MIRANDA e BATISTA, 2009). Porém, a escolha do ambiente no qual a atividade será realizada é tão importante quanto à sua prática. Sendo assim, nota-se uma queda consideravelmente grande na qualidade do ar da região metropolitana, sobretudo devido ao aumento na quantidade de automóveis que promovem a queima de combustíveis fósseis (MIRANDA e BATISTA, 2009), contribuindo para a liberação de diversos poluentes que podem expor os praticantes a uma diversidade de riscos a saúde. No que se refere a este aspecto, a exposição à poluição é uma das causas de doenças respiratórias crônicas, podendo piorar o quadro de asma e doenças obstrutivas crônicas (LASTE, 2009).

O ozônio e o monóxido de carbono são os agentes poluentes que recebem maior destaque frente à diversidade de substâncias poluentes presentes no ar das grandes cidades. A resposta do organismo a estes dois agentes está diretamente relacionada à quantidade destes no ar e a taxa inalada (MIRANDA e BATISTA, 2009). O monóxido de carbono é emitido através de automóveis, aquecedores a óleo, queima de tabaco, churrasqueiras e fogões a gás (CANÇADO e COLABORADORES, 2006), sendo o poluente mais comum encontrado no ar das grandes cidades (LASTE, 2009). Desta forma, a prática do exercício físico próximo aos locais com elevado tráfego de automóveis está relacionada a uma maior exposição e inalação deste poluente (MIRANDA e BATISTA, 2009). O monóxido de carbono reduz a capacidade de transporte de oxigênio através da corrente sangüínea (LASTE, 2009; MIRANDA e BATISTA, 2009), podendo prejudicar o desempenho durante uma corrida ou caminhada. A exposição a este poluente pode causar dor de cabeça, fadiga e sintomas iguais aos da gripe (LASTE, 2009).

O ozônio é uma substância presente no ar das grandes cidades, sendo formado quando a luz solar reage com a emissão dos automóveis (LASTE, 2009). Evidências científicas sugerem que correr com concentrações de ozônio maiores que 0,16 partes por milhão prejudica as funções pulmonares e o desempenho durante a corrida (MIRANDA e BATISTA, 2009). Outros estudos demonstram que correr com concentrações de monóxido de carbono superiores a vinte e cinco partes por milhão pode reduzir a capacidade de oxigenação e o desempenho durante a corrida (DICKEY, 2000).

Os praticantes de exercício físico ao ar livre estão mais sujeitos aos efeitos das substâncias poluentes em relação aos sedentários, uma vez que durante o esforço físico aumenta-se o volume de ar necessário para o processo de respiração. Sendo assim, a melhor estratégia para amenizar este processo consiste em evitar a poluição ou minimizar a exposição a agentes poluentes (MIRANDA e BATISTA, 2009).

Abaixo seguem algumas dicas para a minimização destes efeitos:

· Realizar exercícios físicos no período da manhã, uma vez que o calor e a poluição ainda estão baixos neste horário.
· Evitar realizar exercícios físicos no horário do rush, uma vez que a concentração de poluentes é maior neste período.
· Evitar se exercitar em locais com elevado tráfego de automóveis que utilizam óleo diesel, como ônibus e caminhões.
· Reduzir a intensidade do esforço quanto estiver se exercitando em um local com grande emissão gasosa de automóveis. Este procedimento faz com que o praticante respire somente através do nariz, auxiliando a remover poluentes que ficaram retidos nas mucosas nasais.
· Reduzir o tempo de aquecimento caso esteja se preparando para participar de eventos como corridas de rua. Este procedimento reduz o tempo de contato com agentes poluentes.
· Mantenha-se informado sobre a qualidade do ar.
· Evite exercícios intensos durante períodos de alerta contra calor, fumaça e neblina.


Desta forma, a prática do exercício físico e a concentração de poluentes atmosféricos deve ser uma preocupação cada vez maior entre educadores físicos e entusiastas do exercício, principalmente para aquelas pessoas que realizam as suas atividades ao ar livre. No entanto, é responsabilidade por parte do governo implantar medidas visando a redução na emissão de agentes poluentes no ar das metrópoles, diminuindo as chances de problemas respiratórios e a queda no número de intervenções hospitalares decorrentes deste processo.


Referências Bibliográficas

(MIRANDA e BATISTA 2009) – A poluição do ar na cidade de Goiânia-GO e a prática de exercícios físicos – Educação Física em Revista.

(LASTE, 2009) – Exercício físico e poluição atmosférica: ambiente interno versus externo – Revista Educação, Meio Ambiente e Saúde. 

(CANÇADO e COLABORADORES, 2006) – Repercussões clínicas da exposição à poluição atmosférica – Jornal Brasileiro de Pneumologia.

(DICKEY, 2000) - Air pollution: overview of sources and health effects – Disease-a-Month. 


http://brunnoarnaut.blogspot.com.br/2011/04/exercicio-fisico-e-poluicao.html

quarta-feira, 25 de março de 2015

"Efeitos da poluição do ar na função respiratória de escolares, Rio de Janeiro, RJ "

INTRODUÇÃO

"Efeitos deletérios da poluição do ar sobre a saúde humana têm sido observados tanto na mortalidade geral e por doenças respiratórias e cardiovasculares como na morbidade incluindo aumentos em sintomas respiratórios e diminuições nas funções pulmonares.5

No Brasil, estudos de séries temporais avaliaram os impactos dos poluentes sobre a saúde da população.8,17,18Estudo realizado nas duas maiores cidades brasileiras, Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP),8 identificou que a poluição atmosférica estava associada tanto à saúde respiratória como à cardiovascular. O número de internações devido a doenças respiratórias em crianças aumentou em conseqüência de aumentos na poluição; de 1,8% na cidade do Rio de Janeiro e de 6,7% em São Paulo para incrementos de 10µg/m3 de PM10 (material particulado com diâmetro até 10 micrômetros); ainda em São Paulo, 6,7% para incrementos de 10µg/m3 de SO2 (dióxido de enxofre) e 1,7% para incrementos de 1 ppm (partícula por milhão) de CO (monóxido de carbono). A poluição do ar também se mostrou associada à prevalência de asma em crianças em estudo realizado nos municípios de Duque de Caxias e Seropédica (RJ).15

Entre os estudos internacionais, uma investigação em área rural da Holanda verificou queda da função pulmonar durante duas semanas após um episódio de poluição com aumento de SO2 e material particulado envolvendo 1000 crianças entre seis e 12 anos.2 Na Áustria, o acompanhamento de 975 crianças por três anos também observou redução da função pulmonar associada a aumento nos níveis dos poluentes PM10, SO2, NO2 (dióxido de nitrogênio) e O3 (ozônio).11 Ainda, esses estudos indicam que, entre crianças asmáticas, o impacto da poluição do ar expresso em absenteísmo na escola e aumento de internações hospitalares parece ser mais grave naquelas com menor nível socioeconômico.9"

RESULTADOS

 Mesmo dentro de níveis aceitáveis na maior parte do período, a poluição atmosférica, principalmente o PM10 e o NO2, esteve associada à diminuição da função respiratória de crianças residentes no Rio de Janeiro.


DISCUSSÃO

Neste estudo de painel, a poluição atmosférica esteve associada à diminuição da função respiratória de escolares em curto prazo. Especificamente, aumentos nos níveis de dois poluentes PM10 e o NO2 associaram-se a diminuições na função respiratória. Por outro lado, os níveis dos poluentes CO, SO2 e O3 não estiveram associados a diminuições da função respiratória dos escolares.
Efeitos semelhantes ao observado no presente estudo foram obtidos em estudos de painéis em outras regiões.22 Uma revisão sistemática de estudos com crianças para investigar efeitos da poluição atmosférica concluiu segundo um modelo clássico de meta-análise que, para um aumento de 10 µg/m³ nos níveis de PM10, os níveis de pico de fluxo das crianças diminuíram em média 0,012 l/min (IC95% -0,017; -0,008).22 Ao considerar um modelo de coeficientes aleatórios, o efeito médio foi de - 0,033 l/min (IC95% - 0,047; - 0,019), um efeito muito semelhante ao observado no presente estudo de painel de - 0,32 l/min (IC 95% - 0,52; - 0,12) para o mesmo aumento de PM10 e uma defasagem de dois dias.

Em 2001, estudo com crianças entre sete e nove anos, na cidade de São Paulo (SP) observou associações com diversos poluentes.4 Apesar de não ter isolado um único poluente como a causa principal do efeito deletério na saúde das crianças, para uma variação interquartil na concentraçäo do PM10, houve um decréscimo de 1,05% no pico de fluxo expiratório, resultado semelhante ao encontrado no presente estudo. Outros estudos internacionais têm apresentado correlação entre o aumento de 10 µg/m³ de PM10 e a redução de mais de 10% no pico de fluxo para o mesmo dia.14,15,16

O desenvolvimento de outros estudos sobre o impacto dos poluentes do ar sobre a saúde da população deve ser estimulado no sentido de contribuir com medidas adequadas e locais para controle da poluição do ar.

(Efectos de la polución del aire en la función respiratoria de escolares, Rio de Janeiro, Sureste de Brasil/Hermano Albuquerque de CastroI; Márcia Faria da CunhaII; Gulnar Azevedo e Silva MendonçaIII, IV; Washington Leite JungerIII; Joana Cunha-CruzV; Antonio Ponce de LeonIII)