domingo, 17 de maio de 2015

Gases Poluentes e Atividade Física


Os gases considerados poluentes são aqueles emitidos na combustão incompleta de materiais que contêm carbono, como os derivados do petróleo e do carvão. No dia a dia, os veículos movidos à gasolina, diesel e álcool são os maiores agentes poluidores do ar. Um desses gases é o monóxido de carbono (CO). 

É interessante notar que o CO é altamente nocivo à saúde humana, pois possui uma afinidade 250 vezes maior que o O2 de se ligar a hemoglobina, responsável pelo transporte do oxigênio para os tecidos. Quando esse “encontro” acontece, forma-se um composto chamado de carboxiemoglobina (COHb), que impede a fixação do O2 e prejudica o transporte para as células do organismo. 

Portanto, é na hora do exercício que o corpo mais precisa do oxigênio e, se nesse momento for inalado ar com presença do monóxido de carbono, haverá um comprometimento da capacidade de transporte do oxigênio, o que afeta diretamente o desempenho físico, a respiração, entre outras funções.
Outro gás poluente que se forma a partir dos veículos automotores é o dióxido de enxofre (SO2), emitido principalmente por veículos pesados, movidos a diesel, como caminhões e ônibus.
Os efeitos dos gases no organismo
Efeitos do SO2 no organismo
- tosse seca
- cansaço
- ardência nos olhos
- crises de asma
- doenças cardiovasculares

Efeitos do CO no organismo
- impede a circulação do oxigênio no sangue
- relacionado às doenças cardíacas

Ozônio (O3): concentração em áreas arborizadas
Esse gás, altamente nocivo à saúde humana, não é emitido por nenhuma fonte, ele se forma na atmosfera a partir de gases liberados por veículos, entre outras formas. Para sua formação, é preciso ter sol e dias muitos quentes, por isso a primavera e o verão são as estações de maior concentração do gás. O pico do ozônio é entre 11h e 17h. Outro dado interessante, é que o ozônio tende a se concentrar nos parques ou locais mais arborizados, pois como ele se forma e se destrói na atmosfera a partir da reação com outros elementos, fica mais concentrado nas áreas arborizadas, onde há menos “concorrentes” para reagir.

Efeitos do O3 no organismo
- asma
- bronquite
- problemas respiratórios em geral

A saúde respiratória pela prática de atividades
A prática de uma atividade física é fundamental para manter a saúde em dia. Entretanto, não se pode negar que apesar dos benefícios, é preciso ser cuidadoso ao escolher o local e o horário, principalmente àqueles que realizam suas atividades ao ar livre. Portadores de doenças respiratórias, cardiovasculares e metabólicas crônicas devem buscar informações sobre a qualidade do ar nos órgãos que monitoram o ar ambiental.

A curto prazo as partículas de poeira e dióxido de carbono presentes na poluição atmosférica não causam doenças, mas podem provocar ardor nos olhos, coceira no nariz e irritação na garganta. Podem também dar origem a náuseas, vômitos e desmaios. Pessoas que vivem vários anos em ambientes de poluição atmosférica têm mais tendência a desenvolver complicações a nível pulmonar e cardiovascular, que podem levar à morte, e enfraquecimento do sistema imunológico.
Abaixo citamos algumas das doenças causadas pela poluição do ar:

Câncer do pulmão: Viver durante muito tempo neste tipo de ambientes tóxicos torna o ser humano mais susceptível ao câncer de pulmão, uma das doenças com maiores índices de mortalidade e também um dos tipos de câncer mais comuns em todo o mundo.

Asma: Crianças que crescem em locais muito afetados pela poluição do ar apresentam mais dificuldades respiratórias, uma capacidade pulmonar inferior e têm uma maior probabilidade de vir a desenvolver asma.

 Rinite e bronquite: Estas são outras duas das doenças provocadas pela poluição do ar. A rinite primeira é um tipo de alergia que se manifesta no nariz e nos olhos, enquanto que a bronquite, que pode ser aguda ou crônica, é uma inflamação dos brônquios.

Alzheimer e Parkinson: A inalação a longo prazo de partículas de metais poluentes e tóxicos, como mercúrio, cádmio e compostos de chumbo, pode também dar origem a distúrbios de ansiedade e doenças como Alzheimer e Parkinson.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): Outra das consequências de viver em um ambiente poluído é o desenvolvimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, caracterizada pela destruição de alvéolos pulmonares, inflamação e infeção do sistema respiratório, que se pode manifestar através de bronquite e pneumonia.

Além destas existem muitas outras doenças a nível respiratório e cardiovascular que a poluição do ar origina ou potencia. Pessoas que vivem neste tipo de ambiente poluído devem ter alguns cuidados preventivos como, por exemplo, beber uma maior quantidade de água, utilizar máscaras de proteção respiratória, manter uma alimentação balanceada e procurar frequentar espaços verdes que proporcionem uma qualidade de ar melhor.

 

REFERÊNCIAS:


domingo, 10 de maio de 2015

Colostro bovino pode diminuir efeitos da poluição no organismo



Como já foi abordado nos posts anteriores sobre a pratica esportiva em áreas poluídas e os riscos que ela impõe ao organismo dos atletas. Trataremos agora dos mesmos malefícios, que também podem atingir pessoas que em suas atividades corriqueiras, pois as mesmas estão em contato constante com a poluição, como exemplo motoristas de ônibus, taxistas e trabalhadores de fábricas. Diminuir os efeitos negativos dela e garantir mais qualidade de vida para quem não pode evitá-la ainda é um desafio. No entanto, a pesquisadora brasileira Elisa Gomes, da Edinburgh Napier University, acredita que pode ter uma solução para esse problema. Por meio de testes com atletas, ela e sua equipe querem comprovar que o colostro bovino pode proteger os pulmões contra os efeitos da poluição.





O colostro bovino é utilizado há bastante tempo como suplemento alimentar por fisiculturistas, mas o uso no combate à poluentes atmosféricos é novo. O alimento é o leite produzido nas primeiras 48 horas após o parto. Seja em humanos ou animais, ele é rico em sais minerais, proteínas, anticorpos que fortalecem o sistema imunológico e antioxidantes. Foi essa última característica que chamou a atenção da doutora em Fisiologia e Imunologia do Exercício, uma vez que o ozônio – um dos poluentes mais encontrados em nossa atmosfera – tem características oxidantes.



Apesar da pesquisa ser focada no desempenho de atletas profissionais, a pesquisadora  acredita que os resultados podem servir para qualquer pessoa muito exposta à poluição. “Atletas são bons para serem utilizados como participantes pois conseguem fazer uma intensidade elevada de atividade física, aumentando a inalação do poluente”, explica ela. O agravante no caso dos atletas, segundo a pesquisadora, é de que com a inalação profunda, os poluentes possam atingir regiões mais profundas do pulmão.

Independentemente a qual grupo uma pessoa pertencer, a hipótese de Elisa é de que o colostro aumentaria o sistema de defesa e a rede de antioxidantes pulmonares, tornando o indivíduo menos susceptível aos efeitos da poluição. “Todos somos afetados por ela”, destaca.


O que diminuiria o agravamento de doenças causadas pela exposição à poluição a médio e longo prazo, sendo algumas delas:

- Desenvolvimento de cardiopatias (doenças do coração);

- Geração de problemas pulmonares e cardiovasculares;

- Diminuição da qualidade de vida;

- Diminuição da expectativa de vida (em até dois anos);

- Aumento das chances de desenvolver câncer, principalmente de pulmão;

- Alteração nos níveis de hormônios nos homens e na qualidade do sêmen;

- A inalação de metais pesados, presentes em áreas de muita circulação de veículos, pode provocar doenças do coração, Parkinson , Mal de Alzheimer, e distúrbio de ansiedade;

- Enfraquecimento do sistema imunológico, diminuindo o poder de ação do organismo em combater vírus, bactérias e outros microrganismos.




Rio 2016


Apesar de não ser comissionada por um comitê olímpico específico, a pesquisa tem como foco ajudar a melhorar a performance de atletas durante os Jogos no Rio de Janeiro, em 2016. Em sua pesquisa anterior, encomendada pelo Comitê Britânico, Elisa comprovou a associação de temperatura, umidade e ozônio reduz bastante o desempenho de atletas profissionais. Por mais que os níveis de poluição da capital fluminense não se equiparem à de Pequim, em 2008, eles ainda são motivos de preocupação, especialmente se considerado o calor carioca e o alto índice de umidade.


A pesquisa está em fase de testes. Ciclistas competitivos irão ingerir colostro diariamente por duas semanas, tendo sua performance monitorada em um ambiente que replica o do Rio. Outra proposta é analisar se o alimento ajuda a diminuir a inflamação do pulmão e a aumentar a permeabilidade intestinal.


                                                                                   Até a próxima !





REFERÊNCIAS:


http://www.suapesquisa.com/poluicaodoar/consequencias.htm

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/12/04/noticia_saudeplena,146658/colostro-bovino-pode-diminuir-efeitos-da-poluicao-no-organismo.shtml

domingo, 3 de maio de 2015

"Alerta sobre impacto da poluição em eventos esportivos"



Pesquisa encomendada pelo Comitê Olímpico Britânico indica que poluição pode sim comprometer o desempenho de atletas profissionais. Autora sugere que poluentes presentes em capitais brasileiras podem interferir nas competições internacionais que vão acontecer no país





                   O impacto da poluição na prática esportiva foi tema de uma pesquisa realizada por uma equipe da Edinburgh Napier University, da Escócia, que foi apresentada no I Simpósio Brasileiro de Imunologia do Esporte, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizado no início de 2013. O texto comprova um alerta que especialistas já faziam à esportistas e amadores que se aventuram em corridas e exercícios por grandes centros urbanos: a poluição faz mal. 
          Dez atletas profissionais de alta performance participaram do experimento, sendo submetidos a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados. No primeiro, os atletas tiveram que lidar com temperatura de 20 °C e 50% de umidade relativa do ar. No segundo, a temperatura e umidade continuaram as mesmas e o ozônio foi inserido. No terceiro, a temperatura aumentou para 31 °C e a umidade foi para 70%. No quarto, os atletas foram expostos ao calor e umidade anteriores com o acréscimo de ozônio. O resultado mostrou que nas condições 3 e 4, o tempo que os atletas gastaram para realizar a prova aumentou em média 33 segundos, em relação com os dois primeiros ambientes. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.
               À convite do Saúde Plena, uma das autoras do estudo, a pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do Exercício pela universidade escocesa, Elisa Couto Gomes, falou sobre algumas conclusões tiradas do trabalho encomendado pelo Comitê Olímpico Britânico. Segundo ela, a confirmação do impacto negativo da poluição levanta um alerta vermelho para as cidades brasileiras que receberão jogos das Copas do Mundo e das Confederações e pelas Olimpíadas.

Ø Você observou os efeitos dos poluentes na performance durante corridas pontuais, mas é possível dizer quais consequências podem aparecer ao se correr constantemente nessas condições? 

Existem alguns poucos estudos científicos, a maioria em ratos, que mostram que existe uma adaptação no organismo para a exposição crônica. Essa adaptação ocorre mas a inflamação e a lesão pulmonar persistem, o que pode levar um ''endurecimento'' do epitélio, como o que ocorre com fumantes, sem falar nas outras consequências para a saúde - por exemplo, um menor peso de recém-nascidos de mulheres que vivem em regiões com alto índice de poluição atmosférica.

Ø Com base no seu trabalho, quais são as áreas a serem evitadas nos centros urbanos brasileiros?

A minha pesquisa foi realizada em uma câmara ambiental aqui da universidade, onde temos um aparelho que produz ozônio. Então eu pude controlar a temperatura, que pode variar de -10 graus a 50 graus; a umidade, que pode variar de 20% até 100%, e poluição nesse lugar, já que esse aparelho permite que eu estipule uma concentração de poluição para ser liberada. Dessa forma, eu tenho certeza que todos os atletas foram expostos sempre a mesma situação. Nos centros urbanos locais com muito trânsito geralmente vão ter uma maior concentração de material particulado e ozônio. Porém, o problema do ozônio é que sendo um gás ele pode ser levado a locais onde ele não foi produzido inicialmente. Por exemplo, em São Paulo sabe-se que no parque Ibirapuera a concentração de ozônio é bastante elevada! E muitas pessoas se exercitam lá.

Ø Em um ponto do artigo você explica que os atletas utilizados no estudo são de alta performance e sugere que isso diferencia o resultado, uma vez que eles têm alta capacidade aeróbica e, portanto, inalam mais ar e O3 por minuto. É possível aplicar sua conclusão à qualquer pessoa exposta a um ambiente com essa combinação calor + ozônio?

Sim, pois apesar de eu ter usado atletas de alto nível, eles só foram expostos por 30 minutos, inalando uma alta quantidade. No entanto, a conta que utilizamos é a seguinte: a dose efetiva do poluente = volume de ar inspirado x o tempo exposto. Portanto, indivíduos que estão apenas caminhando no centro, ou dirigindo ônibus e táxis estão expostos por horas! E no final da conta eles vão ter um grande prejuízo.


Ø Você dá destaque ao efeito que a poluição pode ter em competições esportivas. Realmente, o foco do Brasil para os próximos anos são as três grandes competições que sediaremos. Em algumas cidades o calor até dará uma trégua, já que elas acontecem em julho, mas é difícil acreditar que a situação da poluição terá mudado. Como você imagina que isso poderá afetar os eventos?

Bem em Pequim - inclusive uma das verbas pra minha pesquisa foi do Instituto Olímpico Britânico - a preocupação com a poluição era enorme, então o governo teve que tomar muitas medidas para diminuir e controlar a situação. Várias fábricas e indústrias foram fechadas por meses antes das Olimpíadas e acho q eles também modificaram o trânsito. Eles conseguiram diminuir e tiveram a sorte que no dia da maratona, onde a preocupação era maior, choveu e a temperatura foi baixa. Claro que em geral a poluição das grandes cidades do Brasil é um pouco menor que a de Pequim. Mas se não houver uma preocupação do governo pode ser que o nível dos poluentes ainda estejam elevados. Por exemplo, a temperatura média no Rio de Janeiro em julho é na média de 26° C, isso para o pessoal daqui (Escócia) é bem quente, e já é suficiente para a produção de ozônio. Mas o material particulado (MP) tem o mesmo efeito do ozônio e não depende do calor, já que é liberado principalmente por veículos. Acho que os indivíduos que forem mais susceptíveis a poluentes, como asmáticos, podem ser seriamente afetados, o que pode prejudicar o sistema respiratório e o desempenho deles, principalmente para competições ao ar livre.

Ø Seu foco foram as corridas. Em uma partida de futebol, atletas profissionais chegam a correr mais de 10 Km. Você acredita que a sua conclusão se aplica a outros esportes também? O dano é o mesmo?

Com certeza, o dano será o mesmo independente do esporte. Os atletas expostos ao ozônio relataram vários efeitos como náusea, ardência nos olhos, tosse, dor de cabeça etc. Imagine um atleta sentindo tais efeitos em um jogo, como o de futebol, que precisam de uma participação grande do sistema cognitivo, como tomada de decisão, visão geral do campo e antecipação de jogadas. Tudo isso pode ser prejudicado se o jogador estiver preocupado com a dor de cabeça, a náusea ou a vontade de vomitar.


Ø Você acha que ao escolher essas cidades sede as organizações esportivas levam em conta a poluição e os efeitos que ela pode ter no desempenho dos atletas? Deveriam?

Acho que eles não levam em conta. Acho que a maioria das pessoas não levam em conta como que uma coisa que você não consegue ver (a poluição) pode causar mais mortes por ano do que o cigarro ou acidentes de carro (pelo menos é assim aqui na Grã-Bretanha). Acho que as organizações esportivas e os governos precisam dar mais atenção para isso, porque infelizmente as pessoas precisam respirar independentemente de onde elas moram! O governo gasta muito mais dinheiro com pessoas que precisam procurar assistência médica devido à complicações provenientes da exposição à poluição do que iria gastar tomando algumas medidas para diminuir a poluição.



                                                                                    Até o próximo Post !!



    REFERÊNCIAS:





domingo, 26 de abril de 2015

Maratonistas que competem em cidades com altos índices de poluição estão sujeitos à queda de desempenho por causa dos poluentes

Quem sai de casa com a intenção de caminhar ou fazer uma corrida pelas ruas, avenidas ou parques de grandes centros urbanos faz isso com a melhor das intenções, no entanto um inimigo invisível pode estar mascarando os benefícios vindos da prática esportiva nessas condições: a poluição.  As vezes despercebida, ela não 'atrapalha' a conclusão dos exercícios. Quando muito, o cheiro da fumaça de veículos incomoda ou os olhos ardem. Contudo, pesquisadores e especialistas têm destacado cada vez mais os riscos que a prática esportiva em lugares poluídos traz para o organismo. E se ficar saudável é a principal intenção de seus praticantes, o alerta merece ser ouvido com atenção por atletas e amadores: para o pulmão, frequentar esses lugares corresponde a fumar dois cigarros por dia.
 “Dependendo dos trajetos que o individuo faz diariamente, a pessoa que não fuma pode estar submetida a riscos semelhantes aos do fumante”, comenta o cardiologista e presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte, Marconi Gomes da Silva, sobre os dados divulgados por uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, ao escolhermos um local poluído para nos exercitar, nos submetemos a altos níveis de poluentes que podem prejudicar o rendimento físico de forma imediata. 
Isso acontece porque a atividade física demanda mais oxigênio do corpo, com músculos, coração e pulmões trabalhando com mais intensidade. Para atender a demanda, nosso corpo inala mais ar e, com ele, mais poluentes. “Quando o exercício se torna mais intenso respiramos também pela boca, o que possibilita a entrada em nossas vias aéreas de partículas poluentes, que seriam filtradas pelas narinas se respirássemos pelo nariz.  Essas partículas poluentes são absorvidas pelo nosso sistema respiratório e interferem no consumo de oxigênio pelos tecidos, podendo provocar inflamação nas vias áreas”, explica Silva.
Cada pessoa reage de maneira diferente aos poluentes, mas os sintomas identificados com mais frequência são vermelhidão e irritação nos olhos e garganta, sensação de secura no nariz e na boca, assim como cansaço excessivo. Contudo, são as consequências que não conseguimos ver ou sentir na hora, que causam os piores danos. 
“Embora a poluição atmosférica, mesmo isoladamente, já aumente o risco de doenças cardiovasculares, quando associada à exposição ao tráfego intenso e o estresse advindo desses agentes, ocorre uma potencialização do risco de infarto do miocárdio”, pontua. Além disso, a poluição também pode ser responsável pelo aumento da incidência de bronquite crônica, baixo peso de bebês, abortos e até câncer de pulmão. “O risco desse câncer aumenta em torno de 30% e o de abortos 25%”, destaca o cardiologista.

Desempenho afetado
Assim como a saúde perde, o desempenho atlético também é afetado pela poluição presente no ar. Um estudo feito pela pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do Exercício para a Edinburgh Napier University, da Escócia, Elisa Couto Gomes, confirmou que o ozônio – um dos poluentes mais presentes na atmosfera – quando combinado ao calor e umidade afeta em muito a performance de esportistas.
Dez atletas profissionais de alta performance participaram do experimento, sendo submetidos a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados. O resultado identificou que quando os atletas eram expostos à grande concentração de ozônio, calor e umidade eles tinham uma piora de desempenho de, em média, 33 segundos. “Para um atleta de elite isso é uma piora muito grande”, destaca. 
Os ambientes em que o experimento foi realizado eram controlados. Em três dos quatro, eles foram expostos à concentração de ozônio  e em dois o poluente apareceu associado ao calor. Gomes explica que para a formação do gás é necessário luz solar, “então a concentração dele cresce com o aumento da temperatura”.

“É interessante e relevante para o Brasil que quando o calor é adicionado à equação a queda de desempenho é exacerbada. Além disso, no ambiente em que havia calor, umidade e ozônio, ainda houve um maior dano no epitélio pulmonar e diminuição de antioxidantes pulmonares”, afirma. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.

A queda no desempenho foi uma das consequências pontuais identificadas pelo estudo de Gomes, que agora parte em busca de outros impactos sentidos a longo prazo pelo organismo.

Outros vilões

A pesquisadora ainda chama a atenção para a presença de outros poluentes na atmosfera. “O ozônio é um gás altamente oxidante. Outros poluentes, como o material particulado, têm a mesma propriedade. Quando as pessoas são expostas a um coquetel de poluentes, como os encontrados nos grandes centros urbanos, a gente pode ter esse efeito exacerbado”. Ela também lembra que grandes capitais brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba possuem taxas de incidência de ozônio e material particulado na atmosfera acima do indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), além do O3, os poluentes encontrados com maior frequência na região metropolitana de Belo Horizonte são o material particulado (poeira), o dióxido de enxofre (SO2), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os hidrocarbonetos (HC). Especialmente no inverno, eles são identificados em quantidades acima do considerado adequado.

Com a proposta de encontrar um meio de fugir dos efeitos de poluentes como o ozônio, Gomes participou de uma segunda pesquisa que estudou o impacto de suplementos antioxidantes, como as vitaminas C e E, na diminuição dos efeitos prejudiciais da poluição na prática esportiva. O resultado foi uma melhora de 49 segundos no tempo dos atletas. No entanto, a pesquisa também identifica alguns malefícios do uso dos mesmos. "Eu recomendaria a ingestão dessas vitaminas em pequenas quantidades, por um tempo limitado. Para indivíduos fisicamente ativos ou que estejam em treinamento, o uso constante de antioxidantes vai ser prejudicial, pois vai diminuir a adaptação do organismo ao estímulo da atividade física. Sem contar que indivíduos fisicamente ativos já possuem mais antioxidantes no organismo do que os sedentários".



No próximo post trataremos do impacto da poluição em eventos esportivos. Até lá !!






REFERÊNCIAS:


quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Poluição pode prejudicar atividades físicas; entenda os riscos"

Mesmo quando invisível, a poluição é uma grande inimiga das práticas esportivas, podendo tanto prejudicar o desempenho físico quanto causar danos sérios à saúde, incluindo infartos e câncer de pulmão.

Engana-se quem pensa que praticar atividades físicas ao ar livre é necessariamente mais benéfico do que malhar no espaço restrito de uma academia. Segundo, Ubiratan de Paula Santos, presidente da Comissão de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), essa é uma questão que deve ser avaliada por seus múltiplos aspectos.
Em academias bem climatizadas, por exemplo, não há enormes diferenças entre as temperaturas corporal, mesmo nos picos de calor, e a do ambiente. Isso já não ocorre nos parques, territórios em que os termômetros obedecem somente às leis da natureza.
É relevante considerar que a poluição exerce efeito ainda maior durante a prática de exercícios físicos. Nessa hora, o corpo naturalmente necessita de mais oxigênio e, para isso, inspiramos maior volume de ar em busca de oxigênio. Dessa forma também aumentam a quantidade de poluentes inalados e seus efeitos maléficos, adverte José Eduardo Delfini Cançado, presidente da SPPT.
O risco existe tanto em ambientes abertos como fechados. Nos fechados, a vantagem é poder controlar a temperatura e, com isto, facilitar a dissipação de calor produzido pelo corpo. Por outro lado, sistemas de ar-condicionado podem reduzir a umidade do ar e, no caso de academias localizadas em vias de grande tráfego, há inclusive o risco de ter o ar interno ainda mais poluído que o externo.
São poucos os estudos sobre os prejuízos dos gases poluentes às pessoas saudáveis. Porém, os especialistas não têm dúvidas quanto aos principais grupos de risco.
"Portadores de doenças crônicas e algumas de origem metabólicas sofrem mais, portanto, devem evitar os dias de altas temperaturas e a proximidade de até 200 metros de vias mais movimentadas. A poluição, além de provocar crises, diminui a performance", pondera o Ubiratan.
Há países, como o Canadá, em que o indicado é consultar as taxas de poluição do ar antes da prática de exercícios físicos ao ar livre.
No que diz respeito à excessiva quantidade de poluentes e à concentração de ozônio nos parques de grandes metrópoles como São Paulo, Ubiratan informa que a situação é mais grave nos horários de maior congestionamento.
Há aumento dos gases e material particulado nos horários de pico, que chegam a ficar de 4 a 5 vezes maiores. O ozônio aumenta nos horários de maior presença da luz solar, entre 10h e 16h.
De maneira geral, os melhores horários para a prática de exercícios ao ar livre são antes das 7h e após às 20h, horários com menores tráfego de veículos e radiação solar.


Dicas úteis:
Segundo a  “intuição” da jornalista Angelina Fontes (adepta das corridas e fugitiva de locais poluídos) deve-se tentar evitar ao máximo lugares em que a exposição a poluentes é maior, como corredores de trânsito e proximidades de fábricas. Vale também ficar atento às condições meteorológicas. “A chamada inversão térmica aumenta a concentração dos poluentes, já que diminui a dispersão destes”, destaca o cardiologista, Marconi Gomes da Silva. Quando o dia for favorável, ele recomenda que as pessoas procurem locais expostos às correntes de ar consideráveis, como parques e regiões costeiras. Realizar exercícios em locais fechados, nem sempre significa evitar a exposição aos poluentes. Segundo o médico, existem várias atividades domésticas que aumentam significativamente a emissão do monóxido de carbono (CO) e que prejudicam o rendimento durante o exercício físico.



REFERÊNCIAS:

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/05/20/noticia_saudeplena,143402/poluicao-pode-prejudicar-atividades-fisicas-entenda-os-riscos.shtml

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/atividade_fisica_ao_ar_livre.htm