domingo, 26 de abril de 2015

Maratonistas que competem em cidades com altos índices de poluição estão sujeitos à queda de desempenho por causa dos poluentes

Quem sai de casa com a intenção de caminhar ou fazer uma corrida pelas ruas, avenidas ou parques de grandes centros urbanos faz isso com a melhor das intenções, no entanto um inimigo invisível pode estar mascarando os benefícios vindos da prática esportiva nessas condições: a poluição.  As vezes despercebida, ela não 'atrapalha' a conclusão dos exercícios. Quando muito, o cheiro da fumaça de veículos incomoda ou os olhos ardem. Contudo, pesquisadores e especialistas têm destacado cada vez mais os riscos que a prática esportiva em lugares poluídos traz para o organismo. E se ficar saudável é a principal intenção de seus praticantes, o alerta merece ser ouvido com atenção por atletas e amadores: para o pulmão, frequentar esses lugares corresponde a fumar dois cigarros por dia.
 “Dependendo dos trajetos que o individuo faz diariamente, a pessoa que não fuma pode estar submetida a riscos semelhantes aos do fumante”, comenta o cardiologista e presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte, Marconi Gomes da Silva, sobre os dados divulgados por uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, ao escolhermos um local poluído para nos exercitar, nos submetemos a altos níveis de poluentes que podem prejudicar o rendimento físico de forma imediata. 
Isso acontece porque a atividade física demanda mais oxigênio do corpo, com músculos, coração e pulmões trabalhando com mais intensidade. Para atender a demanda, nosso corpo inala mais ar e, com ele, mais poluentes. “Quando o exercício se torna mais intenso respiramos também pela boca, o que possibilita a entrada em nossas vias aéreas de partículas poluentes, que seriam filtradas pelas narinas se respirássemos pelo nariz.  Essas partículas poluentes são absorvidas pelo nosso sistema respiratório e interferem no consumo de oxigênio pelos tecidos, podendo provocar inflamação nas vias áreas”, explica Silva.
Cada pessoa reage de maneira diferente aos poluentes, mas os sintomas identificados com mais frequência são vermelhidão e irritação nos olhos e garganta, sensação de secura no nariz e na boca, assim como cansaço excessivo. Contudo, são as consequências que não conseguimos ver ou sentir na hora, que causam os piores danos. 
“Embora a poluição atmosférica, mesmo isoladamente, já aumente o risco de doenças cardiovasculares, quando associada à exposição ao tráfego intenso e o estresse advindo desses agentes, ocorre uma potencialização do risco de infarto do miocárdio”, pontua. Além disso, a poluição também pode ser responsável pelo aumento da incidência de bronquite crônica, baixo peso de bebês, abortos e até câncer de pulmão. “O risco desse câncer aumenta em torno de 30% e o de abortos 25%”, destaca o cardiologista.

Desempenho afetado
Assim como a saúde perde, o desempenho atlético também é afetado pela poluição presente no ar. Um estudo feito pela pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do Exercício para a Edinburgh Napier University, da Escócia, Elisa Couto Gomes, confirmou que o ozônio – um dos poluentes mais presentes na atmosfera – quando combinado ao calor e umidade afeta em muito a performance de esportistas.
Dez atletas profissionais de alta performance participaram do experimento, sendo submetidos a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados. O resultado identificou que quando os atletas eram expostos à grande concentração de ozônio, calor e umidade eles tinham uma piora de desempenho de, em média, 33 segundos. “Para um atleta de elite isso é uma piora muito grande”, destaca. 
Os ambientes em que o experimento foi realizado eram controlados. Em três dos quatro, eles foram expostos à concentração de ozônio  e em dois o poluente apareceu associado ao calor. Gomes explica que para a formação do gás é necessário luz solar, “então a concentração dele cresce com o aumento da temperatura”.

“É interessante e relevante para o Brasil que quando o calor é adicionado à equação a queda de desempenho é exacerbada. Além disso, no ambiente em que havia calor, umidade e ozônio, ainda houve um maior dano no epitélio pulmonar e diminuição de antioxidantes pulmonares”, afirma. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.

A queda no desempenho foi uma das consequências pontuais identificadas pelo estudo de Gomes, que agora parte em busca de outros impactos sentidos a longo prazo pelo organismo.

Outros vilões

A pesquisadora ainda chama a atenção para a presença de outros poluentes na atmosfera. “O ozônio é um gás altamente oxidante. Outros poluentes, como o material particulado, têm a mesma propriedade. Quando as pessoas são expostas a um coquetel de poluentes, como os encontrados nos grandes centros urbanos, a gente pode ter esse efeito exacerbado”. Ela também lembra que grandes capitais brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba possuem taxas de incidência de ozônio e material particulado na atmosfera acima do indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), além do O3, os poluentes encontrados com maior frequência na região metropolitana de Belo Horizonte são o material particulado (poeira), o dióxido de enxofre (SO2), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os hidrocarbonetos (HC). Especialmente no inverno, eles são identificados em quantidades acima do considerado adequado.

Com a proposta de encontrar um meio de fugir dos efeitos de poluentes como o ozônio, Gomes participou de uma segunda pesquisa que estudou o impacto de suplementos antioxidantes, como as vitaminas C e E, na diminuição dos efeitos prejudiciais da poluição na prática esportiva. O resultado foi uma melhora de 49 segundos no tempo dos atletas. No entanto, a pesquisa também identifica alguns malefícios do uso dos mesmos. "Eu recomendaria a ingestão dessas vitaminas em pequenas quantidades, por um tempo limitado. Para indivíduos fisicamente ativos ou que estejam em treinamento, o uso constante de antioxidantes vai ser prejudicial, pois vai diminuir a adaptação do organismo ao estímulo da atividade física. Sem contar que indivíduos fisicamente ativos já possuem mais antioxidantes no organismo do que os sedentários".



No próximo post trataremos do impacto da poluição em eventos esportivos. Até lá !!






REFERÊNCIAS:


quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Poluição pode prejudicar atividades físicas; entenda os riscos"

Mesmo quando invisível, a poluição é uma grande inimiga das práticas esportivas, podendo tanto prejudicar o desempenho físico quanto causar danos sérios à saúde, incluindo infartos e câncer de pulmão.

Engana-se quem pensa que praticar atividades físicas ao ar livre é necessariamente mais benéfico do que malhar no espaço restrito de uma academia. Segundo, Ubiratan de Paula Santos, presidente da Comissão de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), essa é uma questão que deve ser avaliada por seus múltiplos aspectos.
Em academias bem climatizadas, por exemplo, não há enormes diferenças entre as temperaturas corporal, mesmo nos picos de calor, e a do ambiente. Isso já não ocorre nos parques, territórios em que os termômetros obedecem somente às leis da natureza.
É relevante considerar que a poluição exerce efeito ainda maior durante a prática de exercícios físicos. Nessa hora, o corpo naturalmente necessita de mais oxigênio e, para isso, inspiramos maior volume de ar em busca de oxigênio. Dessa forma também aumentam a quantidade de poluentes inalados e seus efeitos maléficos, adverte José Eduardo Delfini Cançado, presidente da SPPT.
O risco existe tanto em ambientes abertos como fechados. Nos fechados, a vantagem é poder controlar a temperatura e, com isto, facilitar a dissipação de calor produzido pelo corpo. Por outro lado, sistemas de ar-condicionado podem reduzir a umidade do ar e, no caso de academias localizadas em vias de grande tráfego, há inclusive o risco de ter o ar interno ainda mais poluído que o externo.
São poucos os estudos sobre os prejuízos dos gases poluentes às pessoas saudáveis. Porém, os especialistas não têm dúvidas quanto aos principais grupos de risco.
"Portadores de doenças crônicas e algumas de origem metabólicas sofrem mais, portanto, devem evitar os dias de altas temperaturas e a proximidade de até 200 metros de vias mais movimentadas. A poluição, além de provocar crises, diminui a performance", pondera o Ubiratan.
Há países, como o Canadá, em que o indicado é consultar as taxas de poluição do ar antes da prática de exercícios físicos ao ar livre.
No que diz respeito à excessiva quantidade de poluentes e à concentração de ozônio nos parques de grandes metrópoles como São Paulo, Ubiratan informa que a situação é mais grave nos horários de maior congestionamento.
Há aumento dos gases e material particulado nos horários de pico, que chegam a ficar de 4 a 5 vezes maiores. O ozônio aumenta nos horários de maior presença da luz solar, entre 10h e 16h.
De maneira geral, os melhores horários para a prática de exercícios ao ar livre são antes das 7h e após às 20h, horários com menores tráfego de veículos e radiação solar.


Dicas úteis:
Segundo a  “intuição” da jornalista Angelina Fontes (adepta das corridas e fugitiva de locais poluídos) deve-se tentar evitar ao máximo lugares em que a exposição a poluentes é maior, como corredores de trânsito e proximidades de fábricas. Vale também ficar atento às condições meteorológicas. “A chamada inversão térmica aumenta a concentração dos poluentes, já que diminui a dispersão destes”, destaca o cardiologista, Marconi Gomes da Silva. Quando o dia for favorável, ele recomenda que as pessoas procurem locais expostos às correntes de ar consideráveis, como parques e regiões costeiras. Realizar exercícios em locais fechados, nem sempre significa evitar a exposição aos poluentes. Segundo o médico, existem várias atividades domésticas que aumentam significativamente a emissão do monóxido de carbono (CO) e que prejudicam o rendimento durante o exercício físico.



REFERÊNCIAS:

http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/05/20/noticia_saudeplena,143402/poluicao-pode-prejudicar-atividades-fisicas-entenda-os-riscos.shtml

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/atividade_fisica_ao_ar_livre.htm

domingo, 12 de abril de 2015

"Poluição do ar e Atividade Física - É importante saber"



Nos dias atuais a sociedade tem cada vez mais consciência de que a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo é um quesito indispensável para uma melhor qualidade de vida em todas as faixas etárias (LASTE, 2009). Desta forma, observa-se uma maior aderência da população a prática do exercício físico ao ar livre, como caminhada e ginástica nos bosques, parques e calçadões das grandes cidades (MIRANDA e BATISTA, 2009). Porém, a escolha do ambiente no qual a atividade será realizada é tão importante quanto à sua prática. Sendo assim, nota-se uma queda consideravelmente grande na qualidade do ar da região metropolitana, sobretudo devido ao aumento na quantidade de automóveis que promovem a queima de combustíveis fósseis (MIRANDA e BATISTA, 2009), contribuindo para a liberação de diversos poluentes que podem expor os praticantes a uma diversidade de riscos a saúde. No que se refere a este aspecto, a exposição à poluição é uma das causas de doenças respiratórias crônicas, podendo piorar o quadro de asma e doenças obstrutivas crônicas (LASTE, 2009).

O ozônio e o monóxido de carbono são os agentes poluentes que recebem maior destaque frente à diversidade de substâncias poluentes presentes no ar das grandes cidades. A resposta do organismo a estes dois agentes está diretamente relacionada à quantidade destes no ar e a taxa inalada (MIRANDA e BATISTA, 2009). O monóxido de carbono é emitido através de automóveis, aquecedores a óleo, queima de tabaco, churrasqueiras e fogões a gás (CANÇADO e COLABORADORES, 2006), sendo o poluente mais comum encontrado no ar das grandes cidades (LASTE, 2009). Desta forma, a prática do exercício físico próximo aos locais com elevado tráfego de automóveis está relacionada a uma maior exposição e inalação deste poluente (MIRANDA e BATISTA, 2009). O monóxido de carbono reduz a capacidade de transporte de oxigênio através da corrente sangüínea (LASTE, 2009; MIRANDA e BATISTA, 2009), podendo prejudicar o desempenho durante uma corrida ou caminhada. A exposição a este poluente pode causar dor de cabeça, fadiga e sintomas iguais aos da gripe (LASTE, 2009).

O ozônio é uma substância presente no ar das grandes cidades, sendo formado quando a luz solar reage com a emissão dos automóveis (LASTE, 2009). Evidências científicas sugerem que correr com concentrações de ozônio maiores que 0,16 partes por milhão prejudica as funções pulmonares e o desempenho durante a corrida (MIRANDA e BATISTA, 2009). Outros estudos demonstram que correr com concentrações de monóxido de carbono superiores a vinte e cinco partes por milhão pode reduzir a capacidade de oxigenação e o desempenho durante a corrida (DICKEY, 2000).

Os praticantes de exercício físico ao ar livre estão mais sujeitos aos efeitos das substâncias poluentes em relação aos sedentários, uma vez que durante o esforço físico aumenta-se o volume de ar necessário para o processo de respiração. Sendo assim, a melhor estratégia para amenizar este processo consiste em evitar a poluição ou minimizar a exposição a agentes poluentes (MIRANDA e BATISTA, 2009).

Abaixo seguem algumas dicas para a minimização destes efeitos:

· Realizar exercícios físicos no período da manhã, uma vez que o calor e a poluição ainda estão baixos neste horário.
· Evitar realizar exercícios físicos no horário do rush, uma vez que a concentração de poluentes é maior neste período.
· Evitar se exercitar em locais com elevado tráfego de automóveis que utilizam óleo diesel, como ônibus e caminhões.
· Reduzir a intensidade do esforço quanto estiver se exercitando em um local com grande emissão gasosa de automóveis. Este procedimento faz com que o praticante respire somente através do nariz, auxiliando a remover poluentes que ficaram retidos nas mucosas nasais.
· Reduzir o tempo de aquecimento caso esteja se preparando para participar de eventos como corridas de rua. Este procedimento reduz o tempo de contato com agentes poluentes.
· Mantenha-se informado sobre a qualidade do ar.
· Evite exercícios intensos durante períodos de alerta contra calor, fumaça e neblina.


Desta forma, a prática do exercício físico e a concentração de poluentes atmosféricos deve ser uma preocupação cada vez maior entre educadores físicos e entusiastas do exercício, principalmente para aquelas pessoas que realizam as suas atividades ao ar livre. No entanto, é responsabilidade por parte do governo implantar medidas visando a redução na emissão de agentes poluentes no ar das metrópoles, diminuindo as chances de problemas respiratórios e a queda no número de intervenções hospitalares decorrentes deste processo.


Referências Bibliográficas

(MIRANDA e BATISTA 2009) – A poluição do ar na cidade de Goiânia-GO e a prática de exercícios físicos – Educação Física em Revista.

(LASTE, 2009) – Exercício físico e poluição atmosférica: ambiente interno versus externo – Revista Educação, Meio Ambiente e Saúde. 

(CANÇADO e COLABORADORES, 2006) – Repercussões clínicas da exposição à poluição atmosférica – Jornal Brasileiro de Pneumologia.

(DICKEY, 2000) - Air pollution: overview of sources and health effects – Disease-a-Month. 


http://brunnoarnaut.blogspot.com.br/2011/04/exercicio-fisico-e-poluicao.html