Quem sai de casa com a intenção de
caminhar ou fazer uma corrida pelas ruas, avenidas ou parques de grandes
centros urbanos faz isso com a melhor das intenções, no entanto um inimigo
invisível pode estar mascarando os benefícios vindos da prática esportiva
nessas condições: a poluição. As vezes
despercebida, ela não 'atrapalha' a conclusão dos exercícios. Quando muito, o
cheiro da fumaça de veículos incomoda ou os olhos ardem. Contudo, pesquisadores
e especialistas têm destacado cada vez mais os riscos que a prática esportiva
em lugares poluídos traz para o organismo. E se ficar saudável é a principal
intenção de seus praticantes, o alerta merece ser ouvido com atenção por
atletas e amadores: para o pulmão, frequentar esses lugares corresponde a fumar
dois cigarros por dia.
“Dependendo dos trajetos que o individuo faz
diariamente, a pessoa que não fuma pode estar submetida a riscos semelhantes
aos do fumante”, comenta o cardiologista e presidente da Sociedade Mineira de
Medicina do Exercício e do Esporte, Marconi Gomes da Silva, sobre os dados
divulgados por uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, ao
escolhermos um local poluído para nos exercitar, nos submetemos a altos níveis
de poluentes que podem prejudicar o rendimento físico de forma imediata.
Isso acontece porque a atividade
física demanda mais oxigênio do corpo, com músculos, coração e pulmões
trabalhando com mais intensidade. Para atender a demanda, nosso corpo inala
mais ar e, com ele, mais poluentes. “Quando o exercício se torna mais intenso
respiramos também pela boca, o que possibilita a entrada em nossas vias aéreas
de partículas poluentes, que seriam filtradas pelas narinas se respirássemos
pelo nariz. Essas partículas poluentes
são absorvidas pelo nosso sistema respiratório e interferem no consumo de
oxigênio pelos tecidos, podendo provocar inflamação nas vias áreas”, explica
Silva.
Cada pessoa reage de maneira diferente aos poluentes, mas os sintomas identificados com mais
frequência são vermelhidão e irritação
nos olhos e garganta, sensação de secura no nariz e na boca, assim como cansaço
excessivo. Contudo, são as consequências que não conseguimos ver ou sentir
na hora, que causam os piores danos.
“Embora a poluição atmosférica, mesmo isoladamente, já aumente o risco de
doenças cardiovasculares, quando associada à exposição ao tráfego intenso e o
estresse advindo desses agentes, ocorre uma potencialização do risco de infarto
do miocárdio”, pontua. Além disso, a poluição também pode ser responsável pelo
aumento da incidência de bronquite crônica, baixo peso de bebês, abortos e até
câncer de pulmão. “O risco desse câncer aumenta em torno de 30% e o de abortos
25%”, destaca o cardiologista.
Desempenho afetado
Desempenho afetado
Assim como a saúde perde, o
desempenho atlético também é afetado pela poluição presente no ar. Um estudo
feito pela pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do
Exercício para a Edinburgh Napier University, da Escócia, Elisa Couto Gomes,
confirmou que o ozônio – um dos poluentes mais presentes na atmosfera – quando
combinado ao calor e umidade afeta em muito a performance de esportistas.
Dez atletas profissionais de alta performance participaram do experimento,
sendo submetidos a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados.
O resultado identificou que quando os atletas eram expostos à grande
concentração de ozônio, calor e umidade eles tinham uma piora de desempenho de,
em média, 33 segundos. “Para um atleta de elite isso é uma piora muito grande”,
destaca.
Os ambientes em que o experimento foi
realizado eram controlados. Em três dos quatro, eles foram expostos à concentração
de ozônio e em dois o poluente apareceu
associado ao calor. Gomes explica que para a formação do gás é necessário luz
solar, “então a concentração dele cresce com o aumento da temperatura”.
“É interessante e relevante para o Brasil que quando o calor é adicionado à equação a queda de desempenho é exacerbada. Além disso, no ambiente em que havia calor, umidade e ozônio, ainda houve um maior dano no epitélio pulmonar e diminuição de antioxidantes pulmonares”, afirma. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.
A queda no desempenho foi uma das consequências pontuais identificadas pelo estudo de Gomes, que agora parte em busca de outros impactos sentidos a longo prazo pelo organismo.
Outros vilões
“É interessante e relevante para o Brasil que quando o calor é adicionado à equação a queda de desempenho é exacerbada. Além disso, no ambiente em que havia calor, umidade e ozônio, ainda houve um maior dano no epitélio pulmonar e diminuição de antioxidantes pulmonares”, afirma. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média de 12 segundos nas performances dos atletas.
A queda no desempenho foi uma das consequências pontuais identificadas pelo estudo de Gomes, que agora parte em busca de outros impactos sentidos a longo prazo pelo organismo.
Outros vilões
A pesquisadora ainda chama a atenção para a presença de outros poluentes na
atmosfera. “O ozônio é um gás altamente oxidante. Outros poluentes, como o
material particulado, têm a mesma propriedade. Quando as pessoas são expostas a
um coquetel de poluentes, como os encontrados nos grandes centros urbanos, a
gente pode ter esse efeito exacerbado”. Ela também lembra que grandes capitais
brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba possuem
taxas de incidência de ozônio e material particulado na atmosfera acima do
indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), além do O3, os poluentes encontrados com maior frequência na região metropolitana de Belo Horizonte são o material particulado (poeira), o dióxido de enxofre (SO2), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os hidrocarbonetos (HC). Especialmente no inverno, eles são identificados em quantidades acima do considerado adequado.
Com a proposta de encontrar um meio de fugir dos efeitos de poluentes como o ozônio, Gomes participou de uma segunda pesquisa que estudou o impacto de suplementos antioxidantes, como as vitaminas C e E, na diminuição dos efeitos prejudiciais da poluição na prática esportiva. O resultado foi uma melhora de 49 segundos no tempo dos atletas. No entanto, a pesquisa também identifica alguns malefícios do uso dos mesmos. "Eu recomendaria a ingestão dessas vitaminas em pequenas quantidades, por um tempo limitado. Para indivíduos fisicamente ativos ou que estejam em treinamento, o uso constante de antioxidantes vai ser prejudicial, pois vai diminuir a adaptação do organismo ao estímulo da atividade física. Sem contar que indivíduos fisicamente ativos já possuem mais antioxidantes no organismo do que os sedentários".
De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), além do O3, os poluentes encontrados com maior frequência na região metropolitana de Belo Horizonte são o material particulado (poeira), o dióxido de enxofre (SO2), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os hidrocarbonetos (HC). Especialmente no inverno, eles são identificados em quantidades acima do considerado adequado.
Com a proposta de encontrar um meio de fugir dos efeitos de poluentes como o ozônio, Gomes participou de uma segunda pesquisa que estudou o impacto de suplementos antioxidantes, como as vitaminas C e E, na diminuição dos efeitos prejudiciais da poluição na prática esportiva. O resultado foi uma melhora de 49 segundos no tempo dos atletas. No entanto, a pesquisa também identifica alguns malefícios do uso dos mesmos. "Eu recomendaria a ingestão dessas vitaminas em pequenas quantidades, por um tempo limitado. Para indivíduos fisicamente ativos ou que estejam em treinamento, o uso constante de antioxidantes vai ser prejudicial, pois vai diminuir a adaptação do organismo ao estímulo da atividade física. Sem contar que indivíduos fisicamente ativos já possuem mais antioxidantes no organismo do que os sedentários".
No
próximo post trataremos do impacto da poluição em eventos esportivos. Até lá !!
REFERÊNCIAS:





