Pesquisa encomendada pelo Comitê Olímpico Britânico
indica que poluição pode sim comprometer o desempenho de atletas profissionais.
Autora sugere que poluentes presentes em capitais brasileiras podem interferir
nas competições internacionais que vão acontecer no país
O impacto da poluição na
prática esportiva foi tema de uma pesquisa realizada por uma equipe da
Edinburgh Napier University, da Escócia, que foi apresentada no I Simpósio
Brasileiro de Imunologia do Esporte, na Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp), realizado no início de 2013. O texto comprova um alerta que
especialistas já faziam à esportistas e amadores que se aventuram em corridas e
exercícios por grandes centros urbanos: a poluição faz mal.
Dez atletas
profissionais de alta performance participaram do experimento, sendo submetidos
a corridas de 8 quilômetros em quatro ambientes diferenciados. No primeiro, os
atletas tiveram que lidar com temperatura de 20 °C e 50% de umidade relativa do
ar. No segundo, a temperatura e umidade continuaram as mesmas e o ozônio foi
inserido. No terceiro, a temperatura aumentou para 31 °C e a umidade foi para
70%. No quarto, os atletas foram expostos ao calor e umidade anteriores com o
acréscimo de ozônio. O resultado mostrou que nas condições 3 e 4, o tempo que os atletas gastaram
para realizar a prova aumentou em média 33 segundos, em relação com os dois
primeiros ambientes. Mesmo sem o acréscimo do calor ou umidade, as presença do
ozônio no segundo ambiente já foi suficiente para implicar em uma queda média
de 12 segundos nas performances dos atletas.
À convite
do Saúde Plena, uma das autoras do
estudo, a pesquisadora brasileira e doutora em Fisiologia e Imunologia do
Exercício pela universidade escocesa, Elisa Couto Gomes, falou sobre algumas
conclusões tiradas do trabalho encomendado pelo Comitê Olímpico Britânico.
Segundo ela, a confirmação do impacto negativo da poluição levanta um alerta
vermelho para as cidades brasileiras que receberão jogos das Copas do Mundo e
das Confederações e pelas Olimpíadas.
Ø Você observou os efeitos dos poluentes
na performance durante corridas pontuais, mas é possível dizer quais
consequências podem aparecer ao se correr constantemente nessas
condições?
Existem alguns poucos estudos científicos, a maioria em ratos, que mostram que existe uma adaptação no organismo para a exposição crônica. Essa adaptação ocorre mas a inflamação e a lesão pulmonar persistem, o que pode levar um ''endurecimento'' do epitélio, como o que ocorre com fumantes, sem falar nas outras consequências para a saúde - por exemplo, um menor peso de recém-nascidos de mulheres que vivem em regiões com alto índice de poluição atmosférica.
Existem alguns poucos estudos científicos, a maioria em ratos, que mostram que existe uma adaptação no organismo para a exposição crônica. Essa adaptação ocorre mas a inflamação e a lesão pulmonar persistem, o que pode levar um ''endurecimento'' do epitélio, como o que ocorre com fumantes, sem falar nas outras consequências para a saúde - por exemplo, um menor peso de recém-nascidos de mulheres que vivem em regiões com alto índice de poluição atmosférica.
Ø Com base no seu trabalho, quais são as
áreas a serem evitadas nos centros urbanos brasileiros?
A minha pesquisa foi realizada em uma câmara ambiental aqui da universidade, onde temos um aparelho que produz ozônio. Então eu pude controlar a temperatura, que pode variar de -10 graus a 50 graus; a umidade, que pode variar de 20% até 100%, e poluição nesse lugar, já que esse aparelho permite que eu estipule uma concentração de poluição para ser liberada. Dessa forma, eu tenho certeza que todos os atletas foram expostos sempre a mesma situação. Nos centros urbanos locais com muito trânsito geralmente vão ter uma maior concentração de material particulado e ozônio. Porém, o problema do ozônio é que sendo um gás ele pode ser levado a locais onde ele não foi produzido inicialmente. Por exemplo, em São Paulo sabe-se que no parque Ibirapuera a concentração de ozônio é bastante elevada! E muitas pessoas se exercitam lá.
A minha pesquisa foi realizada em uma câmara ambiental aqui da universidade, onde temos um aparelho que produz ozônio. Então eu pude controlar a temperatura, que pode variar de -10 graus a 50 graus; a umidade, que pode variar de 20% até 100%, e poluição nesse lugar, já que esse aparelho permite que eu estipule uma concentração de poluição para ser liberada. Dessa forma, eu tenho certeza que todos os atletas foram expostos sempre a mesma situação. Nos centros urbanos locais com muito trânsito geralmente vão ter uma maior concentração de material particulado e ozônio. Porém, o problema do ozônio é que sendo um gás ele pode ser levado a locais onde ele não foi produzido inicialmente. Por exemplo, em São Paulo sabe-se que no parque Ibirapuera a concentração de ozônio é bastante elevada! E muitas pessoas se exercitam lá.
Ø Em um ponto do artigo você explica que
os atletas utilizados no estudo são de alta performance e sugere que isso
diferencia o resultado, uma vez que eles têm alta capacidade aeróbica e,
portanto, inalam mais ar e O3 por minuto. É possível aplicar sua conclusão à
qualquer pessoa exposta a um ambiente com essa combinação calor + ozônio?
Sim, pois apesar de eu ter usado atletas de alto nível, eles só foram expostos por 30 minutos, inalando uma alta quantidade. No entanto, a conta que utilizamos é a seguinte: a dose efetiva do poluente = volume de ar inspirado x o tempo exposto. Portanto, indivíduos que estão apenas caminhando no centro, ou dirigindo ônibus e táxis estão expostos por horas! E no final da conta eles vão ter um grande prejuízo.
Sim, pois apesar de eu ter usado atletas de alto nível, eles só foram expostos por 30 minutos, inalando uma alta quantidade. No entanto, a conta que utilizamos é a seguinte: a dose efetiva do poluente = volume de ar inspirado x o tempo exposto. Portanto, indivíduos que estão apenas caminhando no centro, ou dirigindo ônibus e táxis estão expostos por horas! E no final da conta eles vão ter um grande prejuízo.
Ø Você dá destaque ao efeito que a
poluição pode ter em competições esportivas. Realmente, o foco do Brasil para
os próximos anos são as três grandes competições que sediaremos. Em algumas
cidades o calor até dará uma trégua, já que elas acontecem em julho, mas é
difícil acreditar que a situação da poluição terá mudado. Como você imagina que
isso poderá afetar os eventos?
Bem em Pequim - inclusive uma das verbas pra minha pesquisa foi do Instituto Olímpico Britânico - a preocupação com a poluição era enorme, então o governo teve que tomar muitas medidas para diminuir e controlar a situação. Várias fábricas e indústrias foram fechadas por meses antes das Olimpíadas e acho q eles também modificaram o trânsito. Eles conseguiram diminuir e tiveram a sorte que no dia da maratona, onde a preocupação era maior, choveu e a temperatura foi baixa. Claro que em geral a poluição das grandes cidades do Brasil é um pouco menor que a de Pequim. Mas se não houver uma preocupação do governo pode ser que o nível dos poluentes ainda estejam elevados. Por exemplo, a temperatura média no Rio de Janeiro em julho é na média de 26° C, isso para o pessoal daqui (Escócia) é bem quente, e já é suficiente para a produção de ozônio. Mas o material particulado (MP) tem o mesmo efeito do ozônio e não depende do calor, já que é liberado principalmente por veículos. Acho que os indivíduos que forem mais susceptíveis a poluentes, como asmáticos, podem ser seriamente afetados, o que pode prejudicar o sistema respiratório e o desempenho deles, principalmente para competições ao ar livre.
Bem em Pequim - inclusive uma das verbas pra minha pesquisa foi do Instituto Olímpico Britânico - a preocupação com a poluição era enorme, então o governo teve que tomar muitas medidas para diminuir e controlar a situação. Várias fábricas e indústrias foram fechadas por meses antes das Olimpíadas e acho q eles também modificaram o trânsito. Eles conseguiram diminuir e tiveram a sorte que no dia da maratona, onde a preocupação era maior, choveu e a temperatura foi baixa. Claro que em geral a poluição das grandes cidades do Brasil é um pouco menor que a de Pequim. Mas se não houver uma preocupação do governo pode ser que o nível dos poluentes ainda estejam elevados. Por exemplo, a temperatura média no Rio de Janeiro em julho é na média de 26° C, isso para o pessoal daqui (Escócia) é bem quente, e já é suficiente para a produção de ozônio. Mas o material particulado (MP) tem o mesmo efeito do ozônio e não depende do calor, já que é liberado principalmente por veículos. Acho que os indivíduos que forem mais susceptíveis a poluentes, como asmáticos, podem ser seriamente afetados, o que pode prejudicar o sistema respiratório e o desempenho deles, principalmente para competições ao ar livre.
Ø Seu foco foram as corridas. Em uma
partida de futebol, atletas profissionais chegam a correr mais de 10 Km. Você
acredita que a sua conclusão se aplica a outros esportes também? O dano é o
mesmo?
Com certeza, o dano será o mesmo independente do esporte. Os atletas expostos ao ozônio relataram vários efeitos como náusea, ardência nos olhos, tosse, dor de cabeça etc. Imagine um atleta sentindo tais efeitos em um jogo, como o de futebol, que precisam de uma participação grande do sistema cognitivo, como tomada de decisão, visão geral do campo e antecipação de jogadas. Tudo isso pode ser prejudicado se o jogador estiver preocupado com a dor de cabeça, a náusea ou a vontade de vomitar.
Com certeza, o dano será o mesmo independente do esporte. Os atletas expostos ao ozônio relataram vários efeitos como náusea, ardência nos olhos, tosse, dor de cabeça etc. Imagine um atleta sentindo tais efeitos em um jogo, como o de futebol, que precisam de uma participação grande do sistema cognitivo, como tomada de decisão, visão geral do campo e antecipação de jogadas. Tudo isso pode ser prejudicado se o jogador estiver preocupado com a dor de cabeça, a náusea ou a vontade de vomitar.
Ø Você acha que ao escolher essas cidades
sede as organizações esportivas levam em conta a poluição e os efeitos que ela
pode ter no desempenho dos atletas? Deveriam?
Acho que eles não levam em conta. Acho que a maioria das pessoas não levam em conta como que uma coisa que você não consegue ver (a poluição) pode causar mais mortes por ano do que o cigarro ou acidentes de carro (pelo menos é assim aqui na Grã-Bretanha). Acho que as organizações esportivas e os governos precisam dar mais atenção para isso, porque infelizmente as pessoas precisam respirar independentemente de onde elas moram! O governo gasta muito mais dinheiro com pessoas que precisam procurar assistência médica devido à complicações provenientes da exposição à poluição do que iria gastar tomando algumas medidas para diminuir a poluição.
Acho que eles não levam em conta. Acho que a maioria das pessoas não levam em conta como que uma coisa que você não consegue ver (a poluição) pode causar mais mortes por ano do que o cigarro ou acidentes de carro (pelo menos é assim aqui na Grã-Bretanha). Acho que as organizações esportivas e os governos precisam dar mais atenção para isso, porque infelizmente as pessoas precisam respirar independentemente de onde elas moram! O governo gasta muito mais dinheiro com pessoas que precisam procurar assistência médica devido à complicações provenientes da exposição à poluição do que iria gastar tomando algumas medidas para diminuir a poluição.
Até o próximo Post !!
REFERÊNCIAS:

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTema muito interessante, pois serve como alerta para os praticantes de atividades físicas ao ar livre.
ResponderExcluirApós o chamados Jogos Verdes, lema da Olimpíada de Sidney em 2000, o mundo ficou atento para as condições ambientais dos países-sede de eventos esportivos internacionais. Assim, as cidades se modificam, tornam-se melhores e menos poluídas e a população toma consciência da importância do ambiente.
Assim, o efeito dos poluentes difere para cada indivíduo. A inalação pode modificar o débito cardíaco, a ventilação e o espessamento da mucosa das vias aéreas.
No caso de treinadores de modalidades olímpicas que usam o fôlego como maratona, triathlon e ciclismo, estes dependem 100% do ar puro para que tenha o máximo de seu rendimento nas provas. Este fato influencia diretamente no resultado da competição.
Faz-se necessário preservar-se em locais saudáveis, com ar puro, como montanhas ou ambientes em que a qualidade do ar não atrapalhe seu rendimento.
Blog muito bacana, parabéns.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirA poluição decorrente da ação humana tem causado transtornos em várias partes do mundo, sejam eles percebidos por meio de catástrofes naturais ou pela criação de verdadeiros lixões a céu aberto.
ResponderExcluirUm estudo da Organização Mundial da Saúde, realizado em mais de 1100 cidades do mundo, mostrou, por exemplo, que o ar do Rio de Janeiro é mais poluído do que o de São Paulo. A área metropolitana do Rio de Janeiro é a 144ª região mais poluída do mundo. A Grande São Paulo ficou na 268ª posição.
O Brasil aparece na posição 44 da lista dos países mais poluídos, perdendo para países do Leste Europeu.
escolhermos um local poluído para nos exercitar, nos submetemos a altos níveis de poluentes que podem prejudicar o rendimento físico de forma imediata.
Isso acontece porque a atividade física demanda mais oxigênio do corpo, com músculos, coração e pulmões trabalhando com mais intensidade. Para atender a demanda, nosso corpo inala mais ar e, com ele, mais poluentes.
A intenção de se exercitar pode causar problemas sérios na saúde em centros urbanos. Podemos ver exemplo disso na avenida Raul Lopes também, onde possui um grande fluxo de carro e muitas pessoas praticando atividade fisica.
Como vem apresentando o blog a poluição prejudica em muito o desempenho e a saúde de atletas que precisam treinar e competir nos grandes centros. A falta de espaços para praticar seus treinos livre da poluição tem sido um problema para muitos indivíduos que buscam melhorar seu desempenho para as competições.
ResponderExcluirAlém disso, podemos dizer que a grande maioria procura o treino nesses ambientes não para competir, mas para melhorar sua saúde e condicionamento físico. Tais indivíduos, ao se exercitar em ambientes poluidos, acabam por inalar gases nocivos a sua saúde a longo prazo e a seu desempenho a curto prazo, não alcançando os objetivos desejados.
Muitos já procuram soluções para tal problema, se utilizando de métodos bem pertinentes. Por exemplo, atletas de grandes cidades do mundo optam por se exercitar cedo pela manha, quando os níveis de poluentes está baixo, evitando os horários nos quais os veículos circulam com maior frequencia, e migrando para áreas mais arborizadas.
Além disso, ao se exercitar cedo pela manhã pode evitar outros danos que podemos sofrer no momento do treino. A exposição crônica aos raios ultravioleta que vem do sol podem causar doenças de pele, como o Câncer, sendo que cedo pela manhã a incidência de raios solares é menor a exposição do indivíduo também diminue. Isso pode ser minimizado até ao 0, pois o cedo pela manhã pode ser trocado pela madrugada, e sim, existem pessoas que se exercitam esse horário.
GRUPO 05- Anne, Alessandro, Mariane, Rafaely (ELA).
ResponderExcluirO exercício físico proporciona inúmeros benefícios, porém estes podem ser prejudiciais quando associados à ambientes poluídos. Exercitar-se em locais com poluição pode causar muitos sintomas como: cansaço, tontura, garganta seca, diminuição da performance física dentre outros, com risco para a saúde a longo prazo,como: doenças respiratórias inflamatórias, câncer de pulmão e doenças cardiovasculares
Ao se escolher um local poluído para realização de atividade física, nos expomos à vários fatores que podem prejudicar o rendimento físico de forma imediata. Ocorrendo isso pelo motivo que a atividade física exige mais oxigênio, com o sistema muscular e o cardiorrespiratório trabalhando com maior intensidade. E para que isso aconteça, o corpo inala mais ar e consequentemente mais poluentes. Que são absorvidas pelo nosso sistema respiratório e interferindo no consumo de oxigênio pelos tecidos, podendo trazer vários problemas variando de individuo para individuo.
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